segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Vento

E esse vento que nos traz agora
Cheiro de chuva, de renovação
Indica que mais um ano está indo embora
Talvez um tempo de vitória, olhando em frente
Ou o reconhecimento da derrota, olhando pro chão

Vento que faz a árvore balançar, a folha cair...

Há alguem nesse segundo que tem mais o que dizer
Que realmente tem uma época para lembrar
Nostalgia toma conta da sua mente
Mas ela simplesmente não pode falar

Apenas lembranças vagas na memória
Histórias que gostaria de reviver
Sabe que se alguém ainda não sentiu isso
Um dia vai sentir, e viver

Lado a lado com o tempo, sem vontade de querer ser...

O vento da morte vai passar
Vai levar ela pra outro lugar
Vai descobrir finalmente o segredo da vida
Que se faz presente apenas no fim

Talvez não tenha tanto valor a família
A dor, o passageiro, a sorte
A pátria, a cidade, a casa
Sua vida, sua história, sua morte.

Que o vento leve sua alma, que passe sem rastros
Assim como fez com tantos milhões
E que faça assim tambem conosco
Por que a morte não precisa de tantos jargões.

Mauricio de Lima 16/08/2010

domingo, 11 de julho de 2010

Da Paixão ao Fim

Um jogo de interesses
Um riso, um abrigo
Coisas em comum vão surgindo
Então pensam que são amigos

Será a aparência que aproxima?
O cheiro, os contatos, o olhar?
Tentativas frustradas de dar em cima
Uma certeira, e começam a namorar

Passa o tempo, e o mesmo rosto que encanta
Apenas passa o tempo, substitui um objeto na cama
O olhar parece opaco, sem vida para dar
Mesmo assim, resolvem se casar

Rotina, rotina, rotina
Todo dia a mesma coisa, todo dia
Um dia vai melhorar, um dia
Mas logo chega em silêncio...
O último dia

Separação parece funcionar
Mas ela perdeu seu tempo, sua beleza fria
O desespero toma conta da sua mente, doentia
Vinte anos poderiam passar novamente
E naturalmente, ter o fim da vida
Mas o caminho mais fácil, nem sempre é o errado
E se torna mais uma suicida.


Mauricio de Lima - 11/07/2010

Geração Perdida

Adrenalina, sangue no olho, vai fazer você defender
A terra em que nasceu, e em que também vai morrer!
Aprenda a desprezar sua omissão!
Tenha em mente o bem da sua nação!

Levanta e vai trabalhar, trabalhar para viver!
O Brasil é nossa pátria e por ele eu vou morrer!

Houve um tempo em que se resolvia na porrada
Hoje em dia a molecada vai na bala
Onde estão os valores como a honra
Força e lealdade, que antes eram veneradas

Se perderam no tempo, espalhados pelo chão
Mas há os homens que trazem isso guardado
No coração!

Depois da guerra nego voltou pra casa
Perdeu as forças que o fez sair de lá
Se esqueceu do terror do campo de batalha
E hoje em dia... Geração Perdida!!

Foi-se embora
O amor à Patria
Com a paz instaurada
A paixão morreu


Mauricio de Lima - Maio de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Esses dias...

Esses dias
Eu estava lembrando
Das coisas que um dia eu fiz
E hoje não consigo mais fazer

Esses dias
Eu estava pensando
Quando foi que eu me acabei
Sem conseguir perceber

Talvez eu apenas tenha feito
Do mesmo jeito que agora faço
Só deixei o tempo passar
Sem pensar no próximo passo

E talvez, não tenha sido tão ruim assim
O auto conhecimento não teria tempo pra mim
Meus pensamentos estariam limitados então
E não procuraria, pois nem saberia
O que perdi nessa doce ilusão

Há tempos e tempos
Mas pra mim não muda muito
Acho que o auto conhecimento só vem com o auto desprezo
E a dor e labuta é que dá cria ao desejo

Minha frieza não é minha culpa
Nem sua, se a tiver
Simplesmente aconteceu, natural
Sem ter um culpado qualquer

Ditados populares não me definem bem
Na grande maioria são sempre bem hipócritas
Falam sempre de alegria, superação banal
Coisas feitas para alegrar a escória

Necessidade de conversar o tempo todo
Carência afetiva latente
Não faz parte de mim, não adianta forçar

Isso não faz parte do meu jeito de ser
Prefiro acreditar que isso foi imposto
Em uma década qualquer, por um cara qualquer
Antes de morrer...



Mauricio de Lima - 24/06/2010

domingo, 20 de junho de 2010

Solidão Voluntária

Ficou claro diante dos meus olhos
Que assim como qualquer outra pessoa
Ela tambem era insegura

Surgiu como um clarão, um raio na minha frente
Idéias de separação e abandono
E uma pena, por ela ser tão pura

E no silêncio que ficava entre a gente
Pensamentos voavam na minha mente
Idéias não correspondidas
Idéias caladas
Por que eu sabia
Que ela não teria
Nada pra falar

Nenhum ideal na cabeça, nenhuma dúvida
Vive apenas pra transar e mentir
Um relacionamento silencioso e burro
Que me fez fazer o que eu fiz

Sumir, da noite pro dia
Sem tempo pra agonia
Ou despedida chorada

De lá eu nada levei
Sobre ela eu nada sei
E minha vida segue tranquila
Nessa solidão voluntária...

Mauricio de Lima - 20/06/2010

sábado, 8 de maio de 2010

Alvorada

Eu ouço o som da meia noite me chamar
E essa não é a primeira vez que acontece
Preciso novamente sentir essa energia
Eu preciso de sair e andar...

Com uma garrafa de cerveja na mão
O frio vem, e o cigarro aquece
Pra descarregar a raiva do dia
Eu preciso de sair e andar...

Tudo morto ao meu redor
O vento não sopra mais
O tempo parece estar parado
A única constancia é a paz

Nem a Lua entenderia
O que tantas almas vazias
Fazem agora à vagar

Quanto mais nós mesmos
Que seguimos nossos instintos
Andando sem medo
Pela madrugada

Não esperando encontrar
Qualquer perigo em abrigo
E é assim que tem sido
E há de continuar...

Até a alvorada.


Mauricio de Lima - 08/05/2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Náufrago

Volta náufrago
Desse mar escuro e sombrio
Depois de meses a fio
Encontre no seu abrigo
A paz para uma nova jornada

Volta náufrago
Enquanto a água invade seus pulmões
E nada pode te salvar
Sabendo que o mesmo que te deu a vida
Vai agora tirar

Erga sua cabeça
Tente nadar
Mesmo que nada faça efeito
E que não faça sentido tentar
Um pescador não pode morrer...
Ou não deveria morrer
Para o Mar

Ouça o som abafado no oceano
Sinta a vida dos que não a sentem
Sinta sua morte vindo do profundo
Se deixe levar já deste mundo

Nos últimos segundos se lembrará
De sua vida inteira a velejar
E a justiça das águas se fez valer
Pois nada mais justo poderia ser

No final
Você viveu e morreu
Com o Mar


Mauricio de Lima - 01/04/2010