quinta-feira, 24 de junho de 2010

Esses dias...

Esses dias
Eu estava lembrando
Das coisas que um dia eu fiz
E hoje não consigo mais fazer

Esses dias
Eu estava pensando
Quando foi que eu me acabei
Sem conseguir perceber

Talvez eu apenas tenha feito
Do mesmo jeito que agora faço
Só deixei o tempo passar
Sem pensar no próximo passo

E talvez, não tenha sido tão ruim assim
O auto conhecimento não teria tempo pra mim
Meus pensamentos estariam limitados então
E não procuraria, pois nem saberia
O que perdi nessa doce ilusão

Há tempos e tempos
Mas pra mim não muda muito
Acho que o auto conhecimento só vem com o auto desprezo
E a dor e labuta é que dá cria ao desejo

Minha frieza não é minha culpa
Nem sua, se a tiver
Simplesmente aconteceu, natural
Sem ter um culpado qualquer

Ditados populares não me definem bem
Na grande maioria são sempre bem hipócritas
Falam sempre de alegria, superação banal
Coisas feitas para alegrar a escória

Necessidade de conversar o tempo todo
Carência afetiva latente
Não faz parte de mim, não adianta forçar

Isso não faz parte do meu jeito de ser
Prefiro acreditar que isso foi imposto
Em uma década qualquer, por um cara qualquer
Antes de morrer...



Mauricio de Lima - 24/06/2010

domingo, 20 de junho de 2010

Solidão Voluntária

Ficou claro diante dos meus olhos
Que assim como qualquer outra pessoa
Ela tambem era insegura

Surgiu como um clarão, um raio na minha frente
Idéias de separação e abandono
E uma pena, por ela ser tão pura

E no silêncio que ficava entre a gente
Pensamentos voavam na minha mente
Idéias não correspondidas
Idéias caladas
Por que eu sabia
Que ela não teria
Nada pra falar

Nenhum ideal na cabeça, nenhuma dúvida
Vive apenas pra transar e mentir
Um relacionamento silencioso e burro
Que me fez fazer o que eu fiz

Sumir, da noite pro dia
Sem tempo pra agonia
Ou despedida chorada

De lá eu nada levei
Sobre ela eu nada sei
E minha vida segue tranquila
Nessa solidão voluntária...

Mauricio de Lima - 20/06/2010

sábado, 8 de maio de 2010

Alvorada

Eu ouço o som da meia noite me chamar
E essa não é a primeira vez que acontece
Preciso novamente sentir essa energia
Eu preciso de sair e andar...

Com uma garrafa de cerveja na mão
O frio vem, e o cigarro aquece
Pra descarregar a raiva do dia
Eu preciso de sair e andar...

Tudo morto ao meu redor
O vento não sopra mais
O tempo parece estar parado
A única constancia é a paz

Nem a Lua entenderia
O que tantas almas vazias
Fazem agora à vagar

Quanto mais nós mesmos
Que seguimos nossos instintos
Andando sem medo
Pela madrugada

Não esperando encontrar
Qualquer perigo em abrigo
E é assim que tem sido
E há de continuar...

Até a alvorada.


Mauricio de Lima - 08/05/2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Náufrago

Volta náufrago
Desse mar escuro e sombrio
Depois de meses a fio
Encontre no seu abrigo
A paz para uma nova jornada

Volta náufrago
Enquanto a água invade seus pulmões
E nada pode te salvar
Sabendo que o mesmo que te deu a vida
Vai agora tirar

Erga sua cabeça
Tente nadar
Mesmo que nada faça efeito
E que não faça sentido tentar
Um pescador não pode morrer...
Ou não deveria morrer
Para o Mar

Ouça o som abafado no oceano
Sinta a vida dos que não a sentem
Sinta sua morte vindo do profundo
Se deixe levar já deste mundo

Nos últimos segundos se lembrará
De sua vida inteira a velejar
E a justiça das águas se fez valer
Pois nada mais justo poderia ser

No final
Você viveu e morreu
Com o Mar


Mauricio de Lima - 01/04/2010

domingo, 7 de março de 2010

Assim Como O Deserto

Bem no meio, vagueio, não vejo o final
Calor, tortura, cansaço mental
Alucinações atormentam minha mente não mais sã
Me fazem ver um oasis, de água pura da manhâ

Lentamente, afogo o pé na areia quente
Me arrasto sobre pernas trêmulas e cansadas
Tempos depois, chego desesperado por água
Jogo o corpo ao chão, mas sem água... sem nada

Comparações são bem vindas agora
Assim como anseei por chegar neste falso oasis
Tambem almejei encontrar no amor, a minha glória

Lutei pela mulher amada, esperei, persisti
Infelizmente, percebi que quando a consegui
Não tinha amor, não tinha prazer... não tinha nada.

Mauricio de Lima - 07/03/2010

sábado, 6 de março de 2010

Caverna

Distante muito tempo, das alegrias amargas da sociedade
Observando atento suas fragilidades e verdades
Ocultas porém, dificeis de enxergar
Vou voltar para a caverna, que é o meu lugar

Sem a luz da hipocrisia, da falsa moral e dos bons costumes
Viver uma eterna constância de paz, solidão e filosofia
Sem ter a quem divulgar minha contida alegria
Assim como tambem não precisarei conviver com seus estrumes

Da caverna eu vim, de um lugar que não posso lembrar
Sinto que estou preso a este, e também que não posso voltar
Mas enquanto vivo estiver, não vou deixar de tentar
Adentrar nas grutas dessa caverna milenar

Lugar em que eu, um pobre mortal
Vou conseguir ser feliz sem um padrão referencial
Quisera eu nunca ter me conhecido
Ir descobrindo os meus caminhos, sem seguir os percorridos

Uma longa estrada a percorrer, mas a perseverança não se abate
Onde alguém quer chegar, nada deveria impedir
Felizmente, o valor aumenta a cada dificuldade
E caso consiga chegar, nunca de lá irá sair

Da caverna eu vim e pra caverna vou voltar
Nem que pra isso eu tenha que sacrificar as coisas modernas
Que nunca me ajudaram, vou jogar todas por terra
Para enfim ficar livre, pois a caverna é o meu lugar.

Mauricio de Lima - 06/03/2010