segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tempestivo

Me considero um navegante
Em águas calmas nauseantes
E eu de tanta calmaria
Pediria até uma ventania
Pra destruir esse semblante

E navios passam ao meu redor
E olham pro meu pequeno barco
Navegando sozinho, mas a salvo
E nem pensam em ajudar

Queria uma ventania
Algumas ondas destruidoras
Um céu escuro ao meio dia
... eu só quero alguma coisa

Que me tire da calmaria
Do tédio de estar vivo
Que me transforme em navio
Pra enfrentar o grande mar

Eu sei que ele está lá
No horizonte, e eu vou lá
Sem preparo, desbravar
Descobrir a novidade

Arrebentar logo meu barco
Acabar com esse fardo
De estar em um mar calmo
Mas querer a tempestade

Mauricio de Lima - 30/01/2012

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ditando

Já me disseram até mais de uma vez
Que nem tudo é fácil
Que a vida não é um mar de rosas
Mas os conselhos são escassos

Não ensinam a fazer acontecer
Não ensinam a não se afogar
Mas eu queria apenas ver
De quem aconselha
Quantos estão salvos

Me falaram pra procurar ser feliz
Tentar me encontrar, fazer o que gosto
Mas estamos conversando sobre o dia
Em que vocês também
Não estarão mais procurando

Mas não nos encontramos
Por que nenhum de nós deu a partida
Afinal nenhum de nós conhece a vida
Do jeito que imaginamos

Mauricio de Lima - 13/10/2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Decência Egoísta

Toda noite ele prometeria
Fazer algo diferente
E prometia que não mais adiaria
Viver uma vida decente

Ele prometeria
Mas apenas se tivesse
O que ele queria

Prometeria
Se a vida fosse igual
A sua outra vida

Mas não
Nada foi como quis
Às vezes até alguma coisa saiu...
Disso sabia

Mas não
Não foi o suficiente
Não pra viver decentemente
Não pra justificar viver contente

Não pra não deixar de prometer
Que sempre prometeria
Esperando acontecimentos, somente
Do jeito que queria


Mauricio de Lima - 17/10/2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sempre cabe mais um no coração da Mãe Solteira

No topo da montanha
Olhou com outros olhos
O campo de mato seco
A geada na grama

O vento soprou
Como sempre
Da sua maneira igual:
Diferente

Encurvando as árvores
Assoviando no ar
Alisando o mar
Acompanhando a gente

Só mais um dia ele pediu
Só mais um dia ele teve
Relembrou em um dia, mil
E partiu...
Pra onde jamais esteve

Sonho de muitos
Mudança de vida
De cidade em cidade
Fazendo sua trilha

Construir e destruir
Com sua própria mão
Um novo amor
Uma nova ilusão

...

Fora só mais uma...

...

Decidiu-se ir
No rastro da lua;
A mãe dos amantes

Mãe solteira, enfim
Iluminando a rua
Como fizera antes

Várias vezes assim
Até sumir de manhã
Esvaindo-se no horizonte


Mauricio de Lima - 13/10/2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Inanidade

Quem dera se ainda existisse
A possibilidade de ocorrer
Alguma teoria diferente
Caos, linha... Corrente.
Mas não temos esperança
De nada no momento
Continuamos nosso terror
Só existindo e assistindo
A areia do tempo
Escorrer por nossas mãos
A ampulheta não foi quebrada
O tempo ainda corre
E nós o seguimos, sem nada
Sem direção e objetivo
Seguimos o rastro
Do nosso próprio fracasso
De séculos atrás
E séculos a frente
Até toda essa merda se explodir
Se explodir com a gente.

Mauricio de Lima - 26/08/2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os únicos

Um oceano de problemas
Onde ele se afogou
Andando na areia, submerso
Carrega o peso

Nas costas

Um peso

Eterno.

E a pressão que não mata
Nem implode
E o frio ele sente
Mas não o congela
A água o carrega
Mas não o molha
E a sua dor...
Eterna.

Imóvel
Impedido de morrer
Pelo sentimento de angústia
Medo de se render

à covardia - ou egoísmo
Impedindo de morrer

Todos os problemas desaguam
Como rios no mar
No oceano de desgraça
E só ele está lá...
Carregando nas costas
Toda a dor do mundo

E ele, eu, você.
Nos achamos os únicos.


Mauricio de Lima - 20/06/2011

sábado, 30 de abril de 2011

Vácuo

Ele sorria muito
E por trás daquilo
Ninguem percebia
Que só era aquilo
Para não demonstrar
O que o afligia

Sua tristeza era tanta
Que driblou suas lagrimas
Gritando sorrisos
Quase que verdadeiros
Escondendo os motivos
Do auto-desprezo



Mauricio de Lima - 30/04/2011